Por Jaqueline Samilla
Morro Preto – Couto: Desenvolvimento: 1755 aproximadamente até o momento (topografia em andamento). Salões e condutos pós sifões, mais 300 m aproximadamente, medidas do Mnemo.
OBJETIVO: explorar e transpor os sifões e as cavidades não inundadas presentes entre estes sifões encontrados no sistema Morro Preto -Couto. O resultado prático destas explorações deverá ser apresentado na forma de dados de topografia, imagens e um relatório do projeto. Pré-requisitos: 1- Equipe de espeleomergulhadores treinada e equipada. 2- Habilidades desejáveis para a exploração nas áreas não inundadas: a- Experiência em deslocamento e longa permanência em ambientes subterrâneos (cavernas). b- Topografia (com equipamento Mnemo ). Método: Estabilização do equipamento em posição fixa/calibração da bússola interna/deixa ligado no bolso da roupa/ termina, tira, coloca no cabo guia e vem coletando as informações de azimute, distância e profundidade). c- Documentação de imagem. d- Uso de sistemas de comunicação com o grupo “externo” ao sifão. e- Resposta adequada e organizada a situações de emergência.
3- A exploração de uma cavidade não inundada depende do número de espeleomergulhadores disponíveis no local:

a- Dois (mínimo aceitável) – 1 coloca o cabo guia e o outro (2) aguarda o seu retorno. Não há exploração na cavidade não inundada. b- 3 – dois espeleomergulhadores colocam o cabo -guia, o sistema de comunicação e medem a qualidade do ar. O 3º. Espeleomergulhador permanece do lado “externo” do sifão, para auxilio em caso de emergência. Pode haver exploração da cavidade não inundada. c- Quatro ou mais – após os procedimentos acima, pode haver exploração e topografia da cavidade não inundada mas sempre se mantendo pelo menos um espeleomergulhador no lado “externo” do sifão, acompanhando a comunicação com o grupo de exploração e preparad o para agir em caso de emergência. Um número maior de espeleomergulhadores nestas condições é desejável.

FASE DE ORGANIZAÇÃO INICIAL DA ATIVIDADE

Necessidade de equipe grande para carregar equipamentos; – Necessidade de cabo guia confiável; – Equipes treinadas e capacitadas para os procedimentos técnicos; – Uso do equipamento sidemount completo para mergulho técnico e rebreather (não há deslocamento de bolhas, evita desprendimento de lama do teto e sedimentos em geral); – Coletar dados topográficos do sifão (grava a cada ponto de amarração, a distância e azimute); – Equipamentos modernos: mudou a abordagem, melhorou a iluminação , permite explorar mais e melhor. – Análise dos mapas, relatos anteriores de mergulhos. – Reuniões e estudo completo da atividade, pelos mergulhadores, em vários momentos.

FASE DE ORGANIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS E PLANEJAMENTO DE ATAQUE AO SIFÃO

Entender o Sistema hidrogeológico do Sistema Onça Parda-Morro Preto-Couto. – Logística geral da atividade. – Organização geral dos equipamentos e requisição das equipes de apoio. – Plano de emergência para se preparar para um resgate real, tempo de resposta o mais curto possível. Elaborado por Maria Augusta Bacellar, Marcello Vazzoler e Jaqueline Samila, deixado na portaria do Núcleo Santana, juntamente com os termos de responsabilidade. – Base de apoio: (ASV, alimentação, ponto quente). – Dupla de contato no sifão. – Comunicação no pré e pós sifão: rádio SPL desenvolvido pelo associado Alfredo Bonini. – Sobreaviso: SER e GREBS.
A EQUIPE! 1. Alfredo Bonini – mergulhador e comunicação. 2. Christian Alves de Jongh – mergulhador. 3. Gert Seewald – mergulhador de apoio. 4. Gilson Tinen – mergulhador/ topografia. 5. Isis Rocha Dias Gonçalves – base de apoio. 6. Jaqueline de Almeida Samila – apoio e comunicação. 7. João Franco (Jhonny) – instrutor e mergulhador 8. Lucas da Silva – mergulhador/topografia. 9. Gustavo Carnevalli – apoio Alberto Duck – apoio e comunicação. 11. Maria Augusta Bacellar – apoio e comunicação. 12. Arabella Possebon – mergulhadora. 13. José Cícero Domingues Júnior – mergulhador.


RESULTADOS – SÁBADO, 25 DE NOVEMBRO DE 2023
1º momento:
Equipe reunida! Equipos todos nas mochilas: Equipos completos de side e rebreather. Cilindros S40 todos cheios com o compressor na casa do Alfredão. Rádio SPL, mais dois rádios em caixas estanque do sistema do Alfredão mais a bobina de fios, testados antes na casa dele. Instalação de um SPL na prainha, e dois no pós sifão. Mochila com rádios Nicola Mochila de ASV Ponto Quente
2º momento:
10:30h Magu e Duck se deslocaram até a Caverna Morro Preto até o sifão Luis Marinho, com a finalidade de verificar o nível da água. Voltaram dizendo que estava tudo normal, levemente turva.

13h: entrada de todos na Caverna Morro Preto, já transportando parte dos equipamentos de mergulho, mochila de rádios e mochila ASV. Jaque e Magu montaram os rádios Nicola na boca da Caverna, isolando a área e no salão do fundo, em frente à galeria Antodites. Os rádios foram testados e constatou-se que um deles está com muito ruído e problemas na recepção de áudio.
14h: Organização da logística geral dos mergulhos . Houve demora até trazer todos os equipamentos da boca; a mochila do Cris demorou a chegar. Jaque e Magu foram procurar na casa do Alfredo, mas a mochila tinha sido levada p or um guia que nos ajudou e já estava na caverna. Elas aproveitaram e pegaram o computador de bordo do mergulhador Lucas.
Novamente foram feitos testes e mudança na posição dos injetores dos rádios Nicola, mas sem sucesso. Então observamos a necessidade de manutenção desses rádios. Foram desmontados e levados de volta após o fim do dia (22h).
16:47h: entrada dos mergulhadores Johnny, Bela, Júnior, Cris e Alfredo. A primeira tarefa foi instalar os fios e rádios de comunicação do sistema do Alfredão (desenvolvido por ele), com rádio comum SPL na base da prainha e mais dois rádios em caixinhas estanque do outro lado, após sifões. A segunda tarefa foi u tilizar também o analisador de gás , que mostrou a quantidade de oxigênio em 20% no salão seco pós sifão.
17:12: entrada da equipe de topografia: Lucas e Gilson. No primeiro salão (Vandir de Andrade ), ficaram Alfredo e Gilson na comunicação. Johnny, Bela e Júnior seguiram para a passagem Dugong , com destino ao Francisco Caco, após salão Moacir de Moraes. 17:45h: Estavam no salão Franciso Caco os mergulhadores Júnior, Lucas, Bela e Cris. 1940h: Equipe do Francisco Caco volta e ficam Lucas e Cris para fazer a topografia. Levam Gilson para Dugong/ Francisco Caco. A topografia foi realizada (planta e perfil) do salão Francisco Caco. A comunicação estabelecida foi muito boa em todos os momentos. 22h: saída de todos da caverna. Uma parte dos equipamentos foi levada de volta e outra parte foi deixada para ser retirada no domingo. 23h: chegada na casa do Alfredo.
DOMINGO, 26 DE NOVEMBRO DE 2023
11h: entrada na caverna e retirada de todos os equipamentos deixados no dia anterior.

Sifão Luiz Marinho, Salão Vandir de Andrade, Salão Moacir de Moraes, Sif ão Dugong, depois a continuidade é o Francisco Caco e Sifão Bonini. Mapa inédito do trecho pós -sifão da Gruta do Morro Preto I – Morro do Couto, aonde fazemos justa homenagem para saudosos Sócios Eméritos do GPME:

– Sifão Luiz Marinho – Salão Vandir de Andrade – Salão Moacir de Moraes

Resultado das explorações subaquáticas desenvolvidas pelo Projeto Transitorium EspeleoSub GPME que tem revelado amplas continuidades a montante do rio.

Mas o grande fruto desse mapa é a execução por espeleólogos topógrafos do GPME que foram qualificados para o espeleomergulho.

O lado de lá do sifões, detalhes da Galeria Francisco Caco.

O GPME está efetuando novo mapeamento com o sistema DistoX -TopoDroid, com a inclusão de novos trechos superiores, sifões e a galerias após os sifões.

Descrição da homenagem:

” N. 21 – Gruta do Morro Preto n. 1

Em frente ao sitio do Sr. Francisco Caco, ao lado esquerdo do Rio Bethary e 40m sobre este rio, na fralda oeste da montanha.”

Extraído de:

R. KRONE – ESTUDO SOBRE AS CAVERNAS DO VALLE DO RIBEIRA

ARCHIVOS DO MUSEU NACIONAL – 1909

114 anos após…

A Morro Preto continua!

Etapa encerrada com sucesso com a descoberta de continuidade após a passagem Dugong identificada na última atividade exploratória.

Finalizada a atividade com a equipe fora da caverna sem nenhuma ocorrência fora do planejamento.

A continuidade seguiu pela passagem Dugong, uma janela caracterizada com fluxo ativo, seguida de restrição com curto quebra corpo submerso aonde se alcanca o salão do Theo (homenagem ao neto recém nascido do associado espeleomergulhador Johnny), totalmente submerso.

Na sequência se alcança o sifão Francisco Caco seguido por galeria aérea não explorada, em breve…

Toda atividade seguiu critérios rígidos de segurança, o espaço aéreo dos condutos e salões não inundados tiveram suas atmosferas sempre previamente analisadas e o sistema de comunicação com rádios espeleofone mantinham a equipe de mergulho sempre em contato com a equipe de suporte.

Parabéns a todos envolvidos pelo sucesso da operação!

Ordem das descobertas recentes: Sifão Dugong, salão do Theo, Francisco Caco e Sifão Bonini. Estes pontos na trajetória da linha são os locais de amarração, as bases.

Após debreafing, pontos a serem melhorados:

  • Manutenção e testes dos rádios Nicola.
  • Aumentar equipe de apoio para carregar equipamentos.
  • Deixar tarefas muito bem definidas.
  • Monitorar constantemente as condições do tempo.
  • Instalar e desinstalar corrimão de segurança, trazer equipamentos de volta para não sumir de novo.
  • Gestão mais eficiente dos equipamentos de mergulho a serem levados.
  • Definir as estratégias e tarefas do dia com mais eficiência e clareza.