Novo grande abismo é descoberto na Serra da Onça Parda (PETAR): Abismo do Arrombado – Relato e galeria de fotos

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No feriado do dia 09 de julho o GPME realizou uma expedição para o PETAR, na região da Serra da Onça Parda, para atividades de prospecção e mapeamento de possíveis novas cavernas, além da continuidade de exploração do Abismo Arrombado. A trilha para a região alvo estava muito suja, mato bem alto, o que resultou em aproximadamente 5 horas de trabalhos de reabertura para acesso ao local de interesse.

A investida neste abismo se deu inicialmente na sua descoberta há dois anos quando alguns integrantes do grupo atingiram a profundidade aproximada de -70 metros. Denominado Abismo do Arrombado em homenagem ao estado físico de um dos membros da equipe que participou da descoberta, após intenso trabalho de prospecção, e que declarou estar “Arrombado”. Por essa condição optou em descansar externamente enquanto o restante da equipe fazia a primeira exploração.

Dessa vez a equipe de investida levou um volume considerável de cordas e com facões afiados, seguidos de prospecção, chegamos a uma dolina cujo fundo se configura num sumidouro, ou melhor, no abismo.

Uma equipe com cinco integrantes foi destacada para descer, enquanto que dois membros do grupo ficaram na superfície para trabalhos de prospecção no entorno imediato do abismo.

Nesta última campanha foi iniciado o mapeamento e a estimativa a partir do ponto alcançado da ultima vez são animadoras!

A primeira parte da gruta tem um caminhamento predominantemente inclinado com pequenos degraus alternados a salões de desabamento, alçando a profundidade estimada de -50 metros. Através uma pequena abertura entre os blocos se acessa a segunda parte da cavidade caracterizada pela total verticalidade. Após um breve conduto formado abaixo do desabamento se abrem dois poços verticais subsequentes respetivamente de 20 e 25 metros. Na base deste segundo poço encontra-se uma pequena drenagem oriunda de um conduto ainda inexplorado e segue em direção do conduto principal que aqui tem caminhamento sinuoso e horizontal. Essa drenagem converge com outras duas, provenientes de duas direções diferentes no lance principal da gruta, de aproximadamente 45 metros de altura. A queda da agua assim formada durante a queda impacta nas rochas das paredes, se espalha e nebuliza se fazendo necessário uma serie de fracionamentos a fim de afastar a corda da cachoeira durante a descida. Este lugar tão característico foi denominado de “Chuveirão”. Na base deste se dividem dois condutos: o ativo, caracterizados por uma seção ovalada típica dos condutos freáticos e o fóssil que segue a direção oposta do curso da agua. Os dois se juntam uns 20 metros mais abaixo num salão formado pela junção de três diferentes níveis que o rio entalhou ao longo da formação da caverna: os primeiros dois mais altos, já fósseis e o terceiro mais baixo que é a conduto freático descrito há pouco. Na extremidade deste salão há um acesso a outro abismo ainda inexplorado que aparentemente acompanha paralelamente o andamento principal da gruta havendo possibilidade de uma possível outra continuação. O conduto ativo da forma oval passa no fundo do salão dos três níveis e se transforma em cânions por uma extensão de cerca 100 metros e alcança a extremidade superior do ultimo lance de 20 metros de altura caracterizado por uma coluna repleta de espeleotemas com concreções tipo couve-flor. O fundo do poço de 20 metros é dividido pela metade por um degrau que permite descer os últimos 4 metros. O chão é formado por seixos rolados de leito de rio e tudo termina em um teto baixo que vai ao pouco se afinando impedindo a passagem humana.

Com a somatória das metragens estabelecidas durante a descida deste abismo, é possível que o Abismo do Arrombado ultrapasse a casa dos -180 metros de desnível, colocando-o entre os maiores do estado de São Paulo e do Brasil. Contudo, somente os trabalhos de topografia poderão precisar as dimensões deste magnífico abismo.

A região que o abismo se encontra é composta por muitas dolinas e o fundo de algumas destas apresentam abismos (como é o caso do Abismo do Arrombado). Nas proximidades destas dolinas, a topografia é alta, acima dos 500 metros e não há drenagens superficiais (exceto o Rio do Couto que está mais abaixo).

A Serra da Onça Parda é constituída, geologicamente, por uma dobra sinclinal, e o Abismo do Arrombado esta num destes flancos da dobra. Além disso, a associação da inclinação das camadas (subverticais) e fraturas condicionam a formação de abismos. E estes abismos funcionam como ralos, que drenam a água para subsuperfície. Segundo a descrição do pessoal que desceu o abismo, o final dele é uma drenagem e esta provavelmente escoa pela charneira da dobra e segue para a região do rio Betary, que é o nível de base local.

Em breve noticias sobre o desnivel oficial do Abismo do Arrombado

Grupo Pierre Martin de Espeleologia

Julho de 2015

Galeria de Fotos

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6 Comments

  1. Gianfranco Roncolato 18/07/2015 at 04:44 - Reply

    Parabéns para a equipe de exploradores GMPE!

  2. Bruno Lenhare 20/07/2015 at 10:41 - Reply

    Parabéns a todos! Grande empreitada e belo registro

  3. Angelo Roncolato 21/07/2015 at 07:43 - Reply

    Foi muito legal!

  4. Rodrigo Izecson 21/07/2015 at 13:34 - Reply

    Parabéns para todos os exploradores. O cara que deu o nome poderia ter dado um nomezinho mais fino, mas tudo bem…

    • Angelo Roncolato 30/03/2016 at 14:11

      Após 5 horas abrindo trilha com mais de 20 quilos de mochila nas costas, o nome saiu sozinho. Quem deu a ideia não é uma pessoa que pode ser definida das mais finas…

  5. Marlene Vidotti 17/07/2017 at 20:09 - Reply

    Que maravilha !!! Muito orgulho deste Grupo fabuloso !!!! .. Parabéns e que venham mais descobertas significantes !!! …

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