7ª Expedição Presidente Olegário – De 05 a 09 de Março de 2011

Estrada com chuva entre Uberaba e Nova Ponte

A saída de São Paulo foi toda separada, com cada carro saindo de origem e horários diferentes.

O primeiro a sair foi o carro do Adilson, em companhia do Beto, seguindo o caminho pela Fernão Dias e pegando os irmãos Jaime e Jonatas em Itajubá.

A Nina saiu na sexta feira à tarde, em companhia da Vanessa DP, seguindo para Jundiaí e pegando a Erica e o Pipe.

Mais adiante, no final da tarde, o carro do GilSan saiu de São Bernardo do Campo com a companhia de Fabiano, Irene e OvO.

Os carros Nina e GilSan se encontraram na cidade de Igarapava, se hospedando no Hotel Ângelo, saindo por volta das 8 da manhã e seguindo juntos até Presidente Olegário, via Uberaba, em companhia da chuva.

Restaurante Zero Hora, com Miguel de branco quase ao centro

Para fechar a lista, o último carro com o Sérgio e Marina saiu de São Paulo na madrugada do sábado.

Os carros da Nina e GilSan chegaram juntos em Presidente Olegário logo após o meio dia, seguindo direto para o Restaurante Zero Hora, do Miguel.

Um banquete pré-expedição era merecido!!!

Aguardamos o carro do Adilson, que vinha pelo caminho da Fernão Dias, e atrasou muito por conta de contratempos na estrada (transito, acidentes, chuvas, etc.) e chegou por volta das 13:00.

Logo após a comilança seguimos para a casa do Wesley, que por conta de compromissos de trabalho na prefeitura não pode acompanhar a expedição.

Com as fortes chuvas dos últimos dias, se considerou mais prudente deixar o carro do Adilson na casa do Wesley e todos seguirem condensados nos veículos 4×4.

Se protegendo das goteiras, a criatividade aflorando

Apesar de nossa chegada relativamente cedo em Galena, por volta das 15:00, com chuva, resolvemos abortar a eventual cavernada curta e cuidar do acampamento base, que colecionava algumas goteiras pela casa.

As gambiarras pra lá de criativas deixavam qualquer pedreiro doido de inveja. 🙂

Essa criatividade em excesso dá uma fome…

Mesmo com a sobrecarga do banquete do Miguel, mandamos ver no jantar da Celma, sempre poderoso, super caprichado.

Por volta das 20:30 recebemos a adesão dos dois últimos integrantes, Marina e Sérgio, completando todos os participantes previstos.

Domingo, acordamos cedo, olhamos pra fora, e o tempo bonito dava vontade de voltar pra cama.

Verdade, estava lindo para ser mais preciso!!!

Para as pererecas, sapos, rãs…

Mas como éramos maiores que qualquer gotinha, pontualmente as 07:30 da manhã já estávamos na cozinha da Celma para nosso primeiro café da manhã, como sempre, caprichadíssimo.

E inacreditavelmente, as 09:00 seguíamos para a caverna.

Equipe no primeiro dia, na estrada de acesso a Vereda da Palha

Dessa vez, optamos em começar a detalhar as cavernas já descobertas, em especial naquelas com maiores desenvolvimentos.

O nosso primeiro destino foi a Lapa Vereda da Palha e a Ressurgência do Córrego do Angico, cavidades muito próximas uma da outra e provavelmente do mesmo sistema.

Equipe com maciço da Vereda da Palha ao fundo

Na Vereda da Palha duas equipes de topografia (Equipe 1: Adilson, Erica, Jonatas e Pipe. Equipe 2: Irene, Jairo, Ovo e Vanessa) focaram o mapeamento das novas galerias superiores descobertas na ultima expedição, somando por volta de 300 metros de topografias e uma terceira equipe (Beto e Fabiano), se dedicaram a documentação fotográfica.

Enquanto uma das equipes finalizava os detalhes da ultima base, o Adilson vem e pergunta “E aquela luz lá embaixo daquele conduto lateral, vem de onde, é outra boca?”

A ansiedade tomou conta de quem já conhecia aquele trecho da caverna e a resposta foi “Vadilson, nunca entramos naquele conduto”

Exploração imediata!!!

A pequena luz avistada pelo Vadilson era uma pequena clarabóia, mas dezenas de metros adiante foi descoberta uma grande clarabóia com imensas raízes de gameleiras. Em uma bifurcação a equipe alcançou uma nova drenagem ativa, com origem e destino ainda desconhecidos, com sifonamentos a montante e jusante.

Quem sabe em épocas mais secas…

Descoberta de pelo menos 500 metros, por baixo, fora as continuações laterais.

Com isso, nossas estimativas para a Vereda da Palha sobem para pelo menos 2.500 metros.

Afluente com travertinos em seu volume normal

As equipes entraram com tempo estável e o riacho com nível normal, mas na hora da saída um susto.

O afluente que corre pelos travertinos estava com seu volume multiplicado pelo menos umas 4 ou 5 vezes, e o barulho no conduto dava a impressão de uma inundação de grande porte. Efeito moral Santuário… 🙂

Felizmente o susto foi momentâneo e o volume de água não era suficiente para dificultar a saída, realizada sem nenhum problema. Ao contrário do filme, nenhum integrante precisou ser sacrificado e todos degustaram sua boa cervejinha, e coca-cola, de fim de tarde.

A equipe da Ressurgência do Córrego do Angico (GilSan, Nina, Marina e Sérgio) entraram na cavidade com cautela, o tempo já não estava tão firme nessa hora e a atenção com o nível da água era total , visto que o mesmo estava pelo menos duplicado.

Após aproximadamente 100 metros de topografia, com a continuidade através de teto baixo, a equipe resolveu abortar a atividade e evitar riscos desnecessários. Efeito cautela Santuário, a missão… 🙂

Na segunda o dia amanheceu estável…

Assim como no dia anterior, estava ótimo para os sapos, pererecas e rãs, nada havia mudado, estabilidade total…

Mantemos a mesma rotina, café da manhã as 07:30 e saída cedo para a caverna.

Equipe no segundo dia, em frente a casa do Sr.Sid, com ele quase ao centro

Como a maior parte dos integrantes, 10 dos 14, não conhecia a região, resolvemos não repetir as cavernas e nesse dia seguimos para a região da Lapa Caieira, na propriedade do Seu Sid, nosso velho conhecido de expedições anteriores.

Sr.Sid e seu radio

Por lá nos dividimos em três equipes, duas de topografia e uma de prospecção.

As equipes de topografia deram continuidade na Lapa Caieira, mapeando continuidades em condutos nas extremidades dos salões. A equipe 1 (Adilson, Jonatas e OvO) mapeou um conduto superior com um cânion entalhado no centro do conduto, com profundidades variando de 5 a 8 metros, parcialmente explorado em sua parte inferior. No final do conduto um pequeno salão também com acesso a uma parte do cânion. Nesse momento a topografia já havia sido encerrada e uma breve exploração foi realizada, com estimativa de 150 a 200 metros, sem alcançar o final.

A equipe 2 (Erica, GilSan, Irene, Pipe e Vanessa) mapeou outro conduto em formato de cânion, mas com menor altura, máximo 4 metros, e após a finalização desse seguiu para outro conduto com as mesmas características, aparentemente uma continuidade do conduto mapeado  pela equipe 1, e que intercepta um salão superior.

Descida de escadinha em um dos cânions da Lapa Caieira

Esses cânions tem se mostrado a principal característica das cavidades da faixa calcária Galena-Andrequicé, todos sem exceção com formato curvilíneo, e com alturas variando de 3 a 25 metros, com mais de 10 ocorrências, presentes em todas as cavidades com maior porte e em algumas de médio porte.

As topografias somaram nesse dia valor semelhante ao dia anterior, aproximadamente 300 metros.

A equipe de prospecção (Beto, Jairo, Marina, Nina e Sérgio), trabalhou em maciço ainda não explorado na propriedade do Sr. Sid, descobrindo na parte superior 3 cavidades, Gruta do Sagüi com estimativa parcial de 80 metros, Abismo do Sagüi, com estimativa vertical de 15 metros e horizontal ainda não explorado e Gruta do Urubu, com estimativa parcial de 50 metros.

Equipe na Lapa Antonio Osório

Depois dessas explorações a equipe seguiu dolina abaixo interceptando o córrego da Capivara, seguindo a jusante e localizando a Lapa Antonio Osório, descoberta na 4ª Expedição. A equipe realizou a exploração da cavidade, confirmando informações da ocasião da descoberta de considerável potencial.

A Lapa Antonio Osório está sendo foco de estudos de peixes, com publicação prevista para breve.

Com as descobertas dessa expedição, o município de Presidente Olegário soma hoje mais de 220 cavernas.

Na terça feira, o tempo continuava estável e seguimos a rotina, café da manhã as 07:30, e começando as despedidas, com parte dos integrantes da expedição (Adilson, Jairo, Jonatas e Vanessa) iniciando o retorno para casa.

Com a empolgação da equipe de prospecção no dia anterior, a cavidade foco da topografia do dia foi sem duvida a Lapa Antônio Osório.

Sumidouro da Lapa Antonio Osório

Com a redução de pessoas e a baixa de dois integrantes que ficaram no acampamento base, nesse dia montamos apenas uma equipe de topografia (Beto, Nina, OvO, Pipe e Sérgio) e uma de documentação fotográfica (Fabiano, Irene e Marina).

A topografia se iniciou pelo sumidouro, baixo em sua entrada e posteriormente com características de cânion. As 15:00, parte das equipes iniciavam a sua volta para o acampamento base (Fabiano, Irene e OvO) e a equipe de topografia foi remontada (Beto, Marina, Nina, Pipe e Sérgio).

A topografia rendeu aproximadamente 200 metros nesse dia e representa aproximadamente de 30% a 40% do potencial já explorado da cavidade, fora possíveis continuações.

Por volta das 18:00 parte dos integrantes iniciaram seu retorno para casa (Fabiano, GilSan, Irene e OvO).

Na quarta feira os demais integrantes da expedição (Beto, Erica, Marina, Nina, Pipe, Sérgio), iniciaram seu retorno para casa, encerrando a 7ª Expedição Presidente Olegário.

Desde Abril de 2008, a fauna das cavernas dos maciços da Lapa Vereda da Palha, Lapa Caieira e Lapa Antônio Osório, entre outras não descritas nesse relatório, tem sido objeto de estudos dos Bioespeleólogos Maria Elina Bichuette (Lina) e Sandro Secutti, com publicação cientifica em breve. Veja também na próxima edição do Boletim Teto Baixo, nº 2, em finalização.

Além dos mapeamentos descritos acima, a expedição rendeu 876 fotos, todas classificadas por dia/autor e já agregadas ao Banco de Imagens do GPME, seguindo as regras determinadas a partir da 2ª Expedição Serra do Calcário.

LOG sintético da atividade:

* 05 a 09 de Março de 2010 – 7ª Expedição Presidente Olegário

Presidente Olegário-MG, Fazenda Vereda da Palha, Andrequicé: Lapa Vereda da Palha (MG 1710) e Ressurgência do Rio Angico (MG 1844), Exploração, Topografia e Plotagem

Presidente Olegário-MG, Galena, Fazenda do Sr. Sidneu Eugênio Isabel (Sid): Lapa Caieira (MG 1650), Exploração e Topografia. Gruta do Sagui, Abismo do Sagui, Gruta do Urubu, Descoberta, Exploração e Plotagem

Presidente Olegário-MG, Galena, Fazenda de Antonio Osório: Lapa Antônio Osório, Exploração, Topografia e Plotagem.

GPME: Adilson Macari Teixeira, Ana Cristina Hochreiter (Nina), Ericson Cernawsky Igual (OvO), Fabiano Kelleros Rodrigues, Felipe Rigoni Barros (Pipe), Gilson Tinen (GilSan) e Vanessa Tatiane Reis dos Santos

Participação: Erica Cristina de Oliveira, Irene Alves Ribeiro, Jairo Rodrigues de Freitas, Jonatas Rodrigues de Freitas, José Roberto de Oliveira Santos (Beto Salé), Marina Conde e Sérgio Pirondi

Galeria de fotos (pequena seleção):

Estrada com chuva entre Uberaba e Nova Ponte

Restaurante Zero Hora, com Miguel de branco quase ao centro

Se protegendo das goteiras, a criatividade aflorando

Equipe no primeiro dia, na estrada de acesso a Vereda da Palha

Equipe com maciço da Vereda da Palha ao fundo

Se aproximando do maciço da Vereda da Palha

Pneu de caminhão no leito do rio da Lapa Vereda da Palha, carregado pelas águas em dia de inundação

Começando a retirar o pneu da dentro da cavidade

Subindo o pneu para fora da cavidade

Afluente com travertinos em seu volume normal

Caninana localizada nas proximidades da boca superior da Lapa Vereda da Palha

Conduto de acesso a outra entrada superior da Lapa Vereda da Palha

Outra visão do conduto

Salão superior

Vista do carste nas proximidades de boca superior

Outra vista do carste

Membros da equipe sobre os lapiás nas proximidades de boca superior

Membros da equipe na boca superior

Membro da equipe sobre os lapiás nas proximidades de boca superior

Membros da equipe na boca superior

Topografia do conduto de ligação entre parte inferior e superior da cavidade

Sr.Sid e seu radio

Equipe no segundo dia, em frente a casa do Sr.Sid, com ele quase ao centro

Flor de Gipsita em conduto da Lapa Caieira

Descida de escadinha em um dos cânions da Lapa Caieira

Travessia em conduto superior sobre cânion na Lapa Caieira. Abaixo: 8 metros

Morcego morto localizado em salão na Lapa Caieira

Equipe na Lapa Antonio Osório

Raizes de gameleira no maciço da Lapa Antonio Osório

Equipe no Córrego Capivara, a poucos metros do sumidouro da Lapa Antônio Osório

Sr.Sid dando as boas vindas a equipe no terceiro e ultimo dia de atividade

Conduto da Lapa Antônio Osório

Membro da equipe no conduto do rio da Lapa Antonio Osório

Membro da equipe se aproximando de passagem em conduto estreito

Sumidouro da Lapa Antonio Osório

CarnaPO 2011

CarnaPO 2011

CarnaPO 2011

CarnaPO 2011

CarnaPO 2011

CarnaPO 2011

Fotos de:

Adilson Teixeira Macari (Vadilson), Ana Cristina Hochreiter (Nina), Ericson Cernawsky Igual (OvO), Fabiano Kelleros Rodrigues e José Roberto de Oliveira Santos (Beto Salé)

2 Comments

  1. Alberto 28/03/2011 at 21:33 - Reply

    Esse tipo de relato é a alma da exploração espeleológica: real, divertida, útil e, principalmente, sem academismo exagerado. Sou do tipo espeleoturista: apaixonado, mas amador, e essas histórias me dizem: keep digging.

  2. […] 7ª Expedição Presidente Olegário – De 05 a 09 de Março de 2011 […]

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