Expedição de comemoração de 10 anos em Presidente Olegário (MG)

O Grupo Pierre Martin de Espeleologia (GPME) teve conhecimento e interesse pelas cavernas de Presidente Olegário através da publicação “As Grutas em Minas Gerais – IBGE 1939” que lista inúmeras ocorrências históricas do município, desde a fundação do grupo em 1987. Muitos anos se passaram quando em Agosto de 2007 o grupo entrou em contatopor e-mail com oCentro de Informação do Turismo (Casa do Turismo) da PrefeituraMunicipal, surpreendentemente correspondido, visto que raramente as prefeituras retornam esse tipo de contato.

Também de forma surpreendente os funcionários da Casa do Turismo trabalharam com celeridade e boa parte das referências foram relocalizadas ou tinham sua localização conhecida em alguns dias.Assim, da mesma forma,a titulo de retribuição a dedicação dos funcionários, o GPME agilizou e agendou em menos de um mês a Expedição Presidente Olegário, realizada no decorrer do feriado de 7 de Setembro.

Esta expedição que tinha como objetivo as cavernas citadas historicamente, sendo a relevante Lapa da Caneca a primeira cavidade visitada e mapeada, mas se mostrou muito mais interessante quando os moradores locais nos informaram que existiam mais algumas cavernas e fomos verificar. E o resultado foi impressionante!!! Tanto que foi e será necessário organizar mais expedições para dar conta de prospectar (procurar) e mapear o imenso potencial de cavernas de Presidente Olegário.

Com a colaboração de outros grupos espeleológicos e laboratórios científicos (GREGeo-UNB e EGJ / LES-UFSCar e IB-USP), e apoio da população local, que hoje podemos chamar de amigos, nestes 10 anos de atividades pudemos identificar mais de 250 cavernas desenvolvidas em vários tipos de rocha (arenito, calcário e filito). E a cada expedição o número aumenta!

Estas expedições resultaram em laços de amizade com os moradores de P.O., além de trabalhos científicos publicados em revistas que enriquecem o conhecimento espeleológico e que ajudam na preservação e conservação do Patrimônio Espeleológico de Presidente Olegário.

 

O Patrimônio Espeleológico de Presidente Olegário:

Até o momento, em 10 anos de atividades em P.O., o GPME identificou 258 cavernas no território de Presidente Olegário. São 12 cavernas formadas em rocha arenítica, espalhadas em vários pontos do munícipio, 1 em rocha denominada filito, e a maior parte das cavernas concentradas em faixa de rocha calcárea que inicia na divisa com o município de Varjão de Minas e segue no sentido NE-SW paralela aos distritos de Galena e Andrequicé se encerrando após a região da Ponta de Pedra aonde o rio Andrequicé desagua no Rio da Prata.

Figura 1 – Localização das cavernas em Presidente Olegário

 

Ao longo de toda faixa calcárease observa característica exposição da rocha com aspecto “afiado” denominada tecnicamente lapiás e localmente como caieiras. Esse patrimônio já identificado é apenas uma pequena parcela do imenso potencial total do município, considerando que o GPME percorreu apenas parcialmente os locais com condições para o desenvolvimento de cavernas.

 

Trabalhos Científicos

Nestes dez anos de atividades foram desenvolvidos vários trabalhos científicos, como dissertações de mestrado, artigos em revistas especializadas, projetos científicos e outros trabalhos que revelam a importância de se conhecer as cavernas da região para protegê-las.

 

Relato da Expedição Presidente Olegário – Comemoração de 10 anos

Neste ano de 2017 organizamos uma Expedição para comemorarmos os anos de atividades. Por conta de muitos contratempos particulares, quase a expedição foi cancelada, mas como somos festeiros foi questão de honra ir até Presidente Olegário.

Para esta expedição foram:

  • – Bruno Lenhare (Chokito);
  • – Fernando Torres (Kussenthy);
  • – Giovani Leite (Marmitinha);
  • – Mariana Seleghini (Laka);
  • – Mariane Ribeiro (Fogosa);
  • – Patrícia Pereira (Paty);
  • – Renata Bueno (Fricô).

Na madrugada do dia 07 de setembro, um grupo saiu de São Paulo com Fogosa, Kussenthy, Marmitinha e Paty, para encontrar Chokito, Fricô e Laka em Americana, para seguir viagem para Minas Gerais.

Marcamos às 5h00 da matina num posto na Rodovia Anhanguera, mas como não podia deixar de ser, após um leve atraso, saímos às 8h00 em direção Presidente Olegário. Almoçamos em Araxá, comendo um Costelão!!!

 

 

De bucho cheio, seguimos viagem para Presidente Olegário, na verdade ficamos hospedados em Varjão de Minas, onde chegamos por volta das 17h00 e fomos para a padaria central tirar o pó da garganta tomando uma gelada! Conversando com as pessoas de lá, ficamos sabendo que não chove há 4 meses! Então a poeira e a sequidão colaboraram para tomar uma boa cervejada, com caldinho de feijão e 2 ovos de codorna e torresmo!

Na sexta pela manhã fomos até o Povoado da Galena, para tentar falar com a Celma (com C mesmo), para podermos fazer nossa apresentação. Lá descobrimos que ela não toma mais conta do bar, que foi passado para outra pessoa. De qualquer forma, fizemos o aviso de que no sábado íamos fazer a apresentação.

Em seguida fomos até a Fazenda São Bernardo, do “Seo” Neguinho, onde encontramos nossos amigos e já ficamos conversando, colocando o papo em dia, antes de descer para caverna.

Fomos para a Gruta São Bernardo, com o objetivo de topografar uma parte dela, já que pelas dimensões e nosso curto tempo disponível, sabíamos que não faríamos ela inteira. Utilizamos o sistema Disto-X/Topodroid para fazer a topografia.

Topografamos mais de 150 metros de caverna (o que não representa 10% dela), e voltamos no final da tarde para tomar um café com pão de queijo com o pessoal da Fazenda São Bernardo.

No dia seguinte, no sábado, passamos na Fazenda Imburana, da nossa amiga Rejany, onde também colocamos o papo em dia, com café, pão de queijo e bolo! E depois partimos para a Fazenda do Zé Sinhana, onde fomos para a Gruta Vereda da Palha. Também por conta de nosso curto espaço de tempo e dimensões da caverna, topografamos quase 10% do total dela.

Após sairmos da caverna fomos tomar um caldo de cana caiana com biscoito na casa do “Seo” Zé Sinhana, onde ele sempre tem boas histórias e “causos” muito engraçados.

À noite voltamos para Varjão de Minas onde jantamos e conversamos sobre nossa atividade nesses dez anos. A conclusão? 258 cavernas é muita caverna!!! Temos muito trabalho pela frente! Ou seja, precisamos de mais muitos anos para dar conta do trabalho a ser feito por lá. E sabemos que sempre que formos, nossos amigos da Vereda da Palha e região estarão nos esperando, pois além das cavernas é o que nos motiva a voltar!

 

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